24 de set. de 2011
Charles Dickens 200th anniversary
Em minha graduação realizei uma pesquisa sobre duas obras de C. Dickens: Hard Times e Oliver Twist. Além delas, vale a pena ler outras, especialmente Great Expectations e A Tale of Two Cities.
Há um movimento internacional para a comemoração do "aniversário".
Visitem o site: http://www.dickens2012.org/
21 de set. de 2011
Merece reflexão (ou não?)
7 de set. de 2011
Da Revista Cult
Saqueadores, uni-vos!
Filósofo Slavoj Zizek defende que os tumultos ocorridos em Londres mostram a força da ideologia do consumo
Publicado em 02 de setembro de 2011
A repetição, diz Hegel, desempenha um papel crucial na história: quando algo acontece uma vez apenas, pode ser visto como simples acidente, algo que poderia ter sido evitado se a situação tivesse sido tratada de outra maneira; mas, quando o mesmo fato se repete, é sinal de que um processo histórico mais profundo está em ação.
Quando Napoleão foi derrotado em Leipzig, em 1813, pareceu que tinha sido azar; quando ele voltou a ser derrotado em Waterloo, ficou claro que seu tempo acabara.
A mesma coisa aplica-se à crise financeira contínua. Em setembro de 2008, foi descrita como uma anomalia que poderia ser corrigida com uma melhor regulamentação etc.; agora, o acúmulo de sinais de um derretimento financeiro repetido deixa claro que estamos diante de um fenômeno estrutural.
Embora os recentes tumultos no Reino Unido tenham sido desencadeados pela morte em circunstâncias suspeitas de Mark Duggan, todo mundo concorda que eles exprimem um mal-estar mais profundo – mas de que tipo?
Como no caso dos incêndios de carros na periferia de Paris em 2005, os saqueadores no Reino Unido não tinham mensagem clara a transmitir.
É por isso que é difícil conceber os participantes nos tumultos no Reino Unido em termos marxistas, como, por exemplo, a emergência do sujeito revolucionário; eles cabem muito melhor na noção hegeliana da “turba”, os que se situam fora do espaço social organizado, que podem exprimir sua insatisfação apenas por meio de explosões “irracionais” de violência destrutiva – o que Hegel chamou de “negatividade abstrata”.
Nos é dito que a desintegração dos regimes comunistas no início dos anos 1990 assinalou o fim das ideologias. Se o truísmo de que vivemos em uma era pós-ideológica é verdadeiro em qualquer sentido, isso pode ser visto nessa explosão recente de violência. Foi uma ação violenta que não reivindicou nada.
O fato de os manifestantes não terem um programa é, portanto, um fato a ser interpretado em si mesmo: ele nos revela muito sobre nosso dilema ideológico-político e sobre o tipo de sociedade em que vivemos: uma sociedade que celebra a escolha, mas na qual a única alternativa disponível ao consenso democrático é a violência cega.
A oposição ao sistema não pode mais se articular na forma de uma alternativa realista ou mesmo de um projeto utópico – pode apenas assumir a forma de uma explosão destituída de sentido. De que adianta nossa tão celebrada liberdade de escolha quando a única escolha é entre jogar segundo as regras e a violência (auto)destrutiva?
Talvez este seja um dos maiores perigos do capitalismo: embora, pelo fato de ser global, abarque o mundo inteiro, ele sustenta uma constelação ideológica “sem mundo” na qual as pessoas são privadas de suas maneiras de localizar sentido.
Análises erradas
A primeira conclusão a ser tirada da turbulência no Reino Unido, portanto, é que as reações a ela, tanto as conservadoras quanto as liberais, são inadequadas.
A reação conservadora foi previsível: não há justificativa para vandalismo desse tipo; para prevenir outras explosões assim, precisamos não de mais tolerância e ajuda social, mas de mais disciplina, trabalho árduo e senso de responsabilidade.
O que está errado nesse relato não é apenas que ele ignora a situação social desesperadora que empurra os jovens a lançar-se em explosões violentas, mas que ignora o modo como essas explosões ecoam as premissas ocultas da própria ideologia conservadora.
Pois o que vimos nas ruas britânicas durante os tumultos não foram homens reduzidos a “bestas”, mas à forma despida, fundamental, da “besta” produzida pela própria ideologia capitalista.
Enquanto isso, os liberais de esquerda, previsivelmente, se apegaram a seu mantra sobre o descaso em que caíram os programas sociais e iniciativas de integração: explosões de violência são os únicos meios que possuem para articular sua insatisfação.
Mas o problema desse relato é que ele apresenta apenas as condições objetivas para os tumultos. Provocar um tumulto é fazer uma afirmação subjetiva, declarar implicitamente como a pessoa se relaciona com suas condições objetivas.
Vivemos em tempos cínicos. É fácil imaginar um manifestante que, flagrado saqueando e queimando uma loja e pressionado para que explique suas razões, responda na linguagem empregada por assistentes sociais e sociólogos, citando a mobilidade social menor, a insegurança crescente, a desintegração da autoridade paterna e a falta de amor materno em sua primeira infância.
Ele sabe o que está fazendo, portanto, mas o faz mesmo assim.
Mas não faz sentido ponderar qual dessas duas reações, conservadora ou liberal, é a pior. Também aqui devemos rejeitar a exigência de que tomemos partido. A verdade é que o conflito foi entre dois polos de desprivilegiados: aqueles que conseguiram funcionar dentro do sistema versus aqueles que estavam frustrados demais para continuar tentando.
Assim, a violência dos saqueadores foi dirigida quase exclusivamente contra suas próprias comunidades. Os carros incendiados e as lojas saqueadas não estavam em bairros ricos, mas nos bairros dos próprios saqueadores.
[O sociólogo polonês] Zygmunt Bauman caracterizou os tumultos como atos de “consumidores deficientes e desqualificados”: mais que tudo, foram uma manifestação de um desejo de consumo concretizado violentamente quando foi incapaz de se realizar da maneira “apropriada”, ou seja, fazendo compras.
Como tais, os tumultos também contêm um momento de protesto genuíno, sob a forma de uma resposta irônica à ideologia do consumo: “Vocês nos mandam consumir e ao mesmo tempo nos privam dos meios de fazê-lo apropriadamente – então estamos aqui, consumindo do jeito que conseguimos!”.
Os tumultos são uma demonstração da força material da ideologia – ou seja, a “sociedade pós-ideológica” talvez seja uma falácia. De um ponto de vista revolucionário, o problema dos tumultos não é a violência em si, mas o fato de a violência não ser verdadeiramente autoassertiva. É raiva e desespero impotentes sob o disfarce de uma exibição de força.
Os tumultos deveriam ser situados em relação a outro tipo de violência que a maioria liberal hoje apreende como uma ameaça a nosso modo de vida: ataques terroristas e explosões suicidas.
Em ambos os casos, a violência e a contraviolência estão presas em um círculo vicioso, cada uma gerando as forças que procura combater. A diferença é que, em contraste com os tumultos no Reino Unido ou em Paris, ataques terroristas são realizados a serviço do sentido absoluto dado pela religião.
Infelizmente, o verão egípcio de 2011 será lembrado como tendo marcado o fim da revolução, um tempo em que seu potencial emancipador foi sufocado. Seus coveiros são o Exército e os islâmicos.
Os contornos do pacto entre o Exército (que era o Exército de Mubarak) e os islâmicos (que foram marginalizados nos primeiros meses do levante, mas agora vêm ganhando terreno) estão cada vez mais claros: os islâmicos vão tolerar os privilégios materiais do Exército e, em contrapartida, vão ganhar hegemonia ideológica.
Os perdedores serão os liberais pró-ocidentais, fracos demais para “promover a democracia”, além dos verdadeiros agentes dos acontecimentos da primavera: a esquerda secular emergente que vem tentando montar uma rede de organizações da sociedade civil, de sindicatos a feministas.
A situação na Grécia parece mais promissora, provavelmente graças à tradição recente de auto-organização progressista (que desapareceu na Espanha após a queda do regime de Franco).
Mesmo lá, porém, o movimento de protesto mostra os limites da auto-organização: os manifestantes sustentam um espaço de liberdade igualitária sem uma autoridade central que a regulamente, um espaço público no qual eles recebem a mesma quantidade de tempo para falar, e assim por diante.
Quando os manifestantes começaram a debater o que fazer a seguir, como avançar além dos meros protestos, o consenso da maioria foi de que era preciso não um novo partido ou uma tentativa direta de tomar o poder do Estado, mas um movimento cuja meta fosse exercer pressão sobre os partidos políticos.
Isso, evidentemente, não é o suficiente para impor uma reorganização da vida social. Para isso é preciso um corpo político forte, capaz de tomar decisões rápidas e implementá-las com a rigidez necessária.
Slavoj Zizek é filósofo esloveno, autor de Em Defesa das Causas Perdidas (Boitempo). A íntegra deste texto saiu no London Review of Books
24 de ago. de 2011
19 de abr. de 2011
Programa na rádio
Quem puder, ouçam o programa espaço cidadão na Rádio Onda Oeste 100,3 no dia 21, às 11:30hs.
O programa é uma iniciativa da FASPI e da Coordenação de Pesquisa Extensão... o link para acompanhar na internet é
http://www.ondaoestefm.com.br/
O tema será sobre o feriado: história do Brasil, inconfidentes e Tiradentes!
Abraço!
18 de mar. de 2011
22 de dez. de 2010
Neil Gaiman diz tentar fugir de rótulos e declara amor ao surrealismo
Na boa tradição do gótico inglês do século 18, o escritor Neil Gaiman situa o cenário de "Coraline" em um casarão isolado e imponente no alto de uma colina. Lá vive, com o pai e a mãe, a heroína de sua "graphic novel".
Entediada com as férias escolares, Coraline descobre uma porta na sala de visitas que dá para uma parede murada. Ela se abrirá --e somente a ela-- para um mundo duplicado, onde reside uma versão "do mal" de seus pais: olhos costurados com botões, unhas enormes e aparência cadavérica.
Como o duplo é uma das imagens mais recorrentes na literatura romântica, a primeira pergunta ao escritor inglês, que falou à Folha, recai sobre a influência desse movimento em sua obra.
"Não sei! Hesito em rotular minhas obras porque essa não é a tarefa do artista. Sua tarefa é criar --cabe aos outros rotular! Quando a gente acredita em rótulos, acredita que existem regras, naquilo que se deve ou não fazer. Algumas vezes me dizem que sou um neoclássico ou um pós-moderno, mas são apenas formas que encontram para descrever o que faço."
Persistente, o entrevistador tenta mais uma vez. "Coraline" lida com um mundo onírico, vetado aos adultos. Isso tem a ver com o surrealismo? "Amo os surrealistas; sempre amei!"
Ufa!
E Gaiman prossegue: "Quando era um garotinho, adorava os quadros de Dalí, e, mais tarde, descobriria André Breton [francês, autor do "Manifesto Surrealista", de 1924, a bíblia do movimento]. Há momentos em 'Coraline' que são puro surrealismo, em que a escrita se aproxima de um "estado infantil".
É por isso que os sonhos são tão importantes em sua obra? (Sua série clássica,"Sandman", é protagonizada justamente por Morfeu, a personificação dos sonhos).
"Sim, porque os usamos para representar tantas coisas... Mas, basicamente, duas: loucura, selvageria e também aspiração _aquilo que gostaríamos de ser. Nos sentimos fracassados na vida real se não conseguimos preencher nossos sonhos. Se conversarmos com alguém cuja vida foi arruinada, lhe dirá: 'Eu costumava ter sonhos, mas deixei de tê-los'!"
Lembra-se de seus sonhos? "Hoje, não! Mas era muito bom nisso quando escrevia 'Sandman'."
É de imaginar, então, que o autor inglês costume ler Freud...
"Não, embora pareça. Li um pouco no final da adolescência e aos vinte e poucos anos, quando pesquisava para 'Sandman'."
Mas ele é importante para o senhor?
"O que resume Freud para mim está no comentário de Sandman. Na 'Casa de Bonecas' [livro da série 'Sandman'], Morfeu e Rose [Walker] estão voando lado a lado quando ela lhe diz: 'Você sabe o que Freud disse sobre o significado de voar, nos sonhos? Disse que, de fato, você está sonhando em fazer sexo'. E Morfeu pergunta: 'Ok, mas então qual é o significado, em seu sonho, de fazer sexo?'. E ela não tem resposta para isso."
| Bernardo Gutiérrez - 4.jul.2008/Folhapress | ||
| O escritor inglês Neil Gaiman, que disse tentar fugir dos rótulos e ser amante do surrealismo, em visita ao Brasil em 2008 |
BRASIL!
Gaiman sabe do apreço que desfruta no Brasil. Quando esteve na Flip, em 2008, lembra que "apareceram 1.600 pessoas na minha sessão de autógrafos. Em Nova York, Chicago e Los Angeles, não reúno mais que 300!"
E como explica esse fenômeno? Não será porque nos EUA as HQs sejam parte da cultura há muito tempo?
"Não sei explicar todo o fenômeno, e por isso ele me fascina. Os leitores brasileiros me parecem incrivelmente espertos, mas há uma série de coisas trabalhando contra. Uma delas é que o sucesso das HQs no Brasil começou no momento em que o Ocidente também o descobria. Isso tornou os livros caros para o padrão daí."
Mas Gaiman tem outra explicação, de ordem cultural.
"Também tive a impressão de que no Brasil muito poucas pessoas falam inglês. Isso quer dizer que elas ficaram por um tempo à mercê da indústria editorial e da situação da economia."
GRANDES NOMES
Qual a diferença entre HQs americanas e europeias? "Se você me fizesse essa pergunta 25 anos atrás, poderia facilmente lhe dar uma resposta. Mas hoje as coisas mudaram --e estão mudando."
Todos influenciam todos?
"Exatamente. De um lado a outro do planeta, todo mundo lê todo mundo."
E quais são os escritores e artistas mais importantes no cenário atual?
"Os mais importantes artistas são também os melhores escritores. São os responsáveis pelo que se fez de melhor nos últimos 15 anos. A adaptação que Robert Crumb, que começou no underground, fez para o 'Gênesis' é uma obra-prima."
Alguém mais? "Art Spiegelman, Chris Ware Linda Barry [todos americanos]..."
A internet mudou o gênero? "Mudou tudo! Porque você sabe muito rapidamente o que o outro está fazendo. E, com o iPad, está ficando cada vez mais fácil ler quadrinhos. O jeito de fazer também mudou, e isso me apaixona."
Em que trabalha agora?
"Em um livro de não-ficção sobre mitologia chinesa, a história de um rei macaco. Em também em um episódio para a TV inglesa."
E conclui, enfático: "E transmita todo o meu amor ao povo brasileiro".